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sábado, 29 de agosto de 2009

TENHO UMA AMIGA ASSIM...

Tenho uma amiga assim.

Tenho uma amiga que quase consegue fazer contorcionismo com a vida: de manhã vai ao enterro do filho de uma amiga e à noite à festa de alguém que se despede da vida e depois ainda, vai dançar até às 8 da manhã.
Tenho uma amiga que se irrita com muita facilidade, grita e dá berros e culpa toda a gente quando a vida não lhe corre de feição. Mas essa amiga, é capaz de dar o casaco e a roupa interior por alguém que precise.
Tenho uma amiga cuja vida é uma sequência de perdas e desilusões: divórcio, traições, perdas de amigos e familiares com doenças horríveis…
Tenho uma amiga que vê outras amigas lutar com todas as forças para se manterem vivas perante doenças “incuráveis”, e ao mesmo tempo vê um homem saudável, da sua idade suicidar-se.
Tenho uma amiga que se questiona.
Tenho uma amiga que se deixa enganar.
Tenho uma amiga que deu abrigo a um “amigo” bêbedo e que foi surpreendida por ele, na sua cama às 5 da manhã… e que…. andou aflita uma semana sem saber se tinha ficado grávida do falso amigo. _ Não perguntem porque ela não resistiu: como se resiste ao “carinho”, embriagada a meio da noite, entre o sono e a vigília?_.
Tenho uma amiga que aguentou calada essa inconveniente história de “senhores” com nomes cheios de eles e erres repetidos, sem gritar aos quatro ventos que tais “senhores” não passam de sacos de estrume.

Quero dizer a essa minha amiga, que a VIDA vale a pena: pelo ar puro que se inspira, pelo Sol que brilha, pelas nuvens que passam e até pelos dias de chuva.
Preciso de dizer a essa amiga… não que há “outros” em muito piores circunstâncias, mas que há beleza nos recantos mais obscuros que Deus faz questão de iluminar quando parece que a escuridão envolve tudo.
Preciso de dizer a essa amiga que deve levantar as mãos para o Céu pela maravilhosa família que lhe resta, pelos filhos saudáveis e inteligentes e pelos amigos verdadeiros.
Preciso de dizer a essa amiga que a solução não está no fundo vazio de um frasco de comprimidos mas no coração cheio daqueles que amamos e que, apesar de tudo, ainda nos amam.
Isabel

domingo, 23 de agosto de 2009

LES UNS ET LES "AUTRES"


“Mes amis, mes amours, mes amants…”

Do alto da minha provecta idade, 47 anos para quem não sabe, já vi muita coisa…E no que aos seres humanos diz respeito muito há para observar e ….concluir.
Falando de homens, os nossos companheiros de viagem neste Planeta, os nossos maiores amigos ou os nossos maiores inimigos, depende, cheguei a uma conclusão que vou tentar apresentar em linguagem “tauromáquica” mas que não traumatize ninguém.
Ora bem: há 2 tipos de homens: os picadores e os que têm mais vocação para toiro.
Os primeiros, parecem quase sádicos tal é o prazer que retiram dos jogos amorosos, das incertezas e inseguranças que criam, das dúvidas existenciais e outras que tais que nos fazem sentir.
Os que têm vocação para toiros são semelhantes aos masoquistas completos.
Passo a exemplificar:
Tive um casal amigo, com um casamento de 20 e tal anos em que ele a tratava como uma rainha. Todas, mas todas as semanas lhe oferecia um ramo de rosas.
Ela era licenciada, chegou a ter altos cargos na função pública e ele era um óptimo rapaz, mais simples, que não chegou a acabar o curso.
Tiveram filhos maravilhosos que pareciam ter tudo para ser o exemplo da família exemplar.
Pois bem, um dia a menina chega a casa e diz: _“ quero divorciar-me, já não te amo, estou apaixonada por outro!”_
Não estava lá para ver a reacção do meu amigo mas calculo que tenha sido….de ficar sem chão debaixo dos pés.
O rapaz deu em beber e fumar, apanhou uma úlcera gástrica, ia morrendo, ficou com os filhos e com a casa tomando conta de tudo enquanto ela partiu para o estrangeiro atrás da sua paixão.
O meu amigo é um homem educadíssimo, culto, simpático, sabe estar, e ainda por cima…É GIRO!!! Mulheres, GIRO mesmo!!
Vocês acreditam que ele nunca mais arranjou ninguém??
Na altura os nossos amigos comuns quiseram fazer o arranjinho: eu estava divorciada há mais tempo do que ele…Pois bem…Ainda fomos a uma inauguração de pintura juntos, e um dia proporcionou-se beber um copo “chez moi”.
Depois do copo e de confissões mútuas ele pediu se me podia abraçar uns minutos: esteve para aí 10 minutos abraçado a mim…talvez tenha chorado, não sei.
Depois perguntou-me: “posso cá ficar esta noite??”
E eu, calmamente e ao mesmo tempo com o coração aos pulos respondi: “Achas que isso é correcto? É isso mesmo que tu queres???”…………………………………………………………………………………………
Silêncio. Ele baixou os olhos.
Quando os levantou para mim, da sua boca saíram as seguintes palavras: “Eu sou demasiado teu amigo para te fazer sofrer!”
Eu olhei-o… e contra todo o meu desejo e natureza feminina respondi: “ Pois bem, a última coisa que eu quero é um homem que faça sofrer!”.
Posto isto, levantei-me e acompanhei-o à porta.
Ficámos amigos e ainda hoje gostamos imenso um do outro.
Ele, nunca mais teve ninguém: acho que não esqueceu nunca aquela que o “encornou” e que quase o destruiu. Continuará à espera dela??
Não sei.
Eu…Fiquei só mas feliz porque fui coerente: Só quero, na minha vida, na minha cama, no meu carro, whatever, um HOMEM que me queira a 100%.
Para o bem e para o mal.
Como dizia o poeta: “Quero amar ou odiar, o meio termo é que não!!!”
E eu, sou exactamente assim.
Ter alguém só por ter?? Não muito obrigada. Graças a Deus se quisesse isso, não teria a mínima dificuldade: não é falsa modéstia, sei o que valho.
Quanto aos homens….Não tenho dúvida que faria feliz o meu amigo: sentia-me capaz disso. Mas há coisas que simplesmente não dependem de nós, e essas têm que se aceitar.
Este caso ilustra o “homem bonzinho que leva com as sacanas/putéfias deste mundo”.
Este tipo de homens corresponderá talvez… a 10% do total dos machos latinos.
Os outros??
A maioria são uns predadores meio desdentados, carapaus de corrida armados em tubarões.
Alguns têm a lata de aparecer nas revistas a “dar uma” de pais de família exemplares quando eu conheço as suas amantes!!!
Para esses, não há tempo a perder: ridicularizá-los é a melhor maneira de os afastar.
O homem ideal??
Não existe, tal como não existe a mulher ideal.
Eu…Na minha solitária posição, espero tudo, ou nada.
Depende da disposição com que acordo.
Mas uma coisa sei: “quero amar ou odiar, o meio termo é que não!”
Isabel

HOMENS??? DAHHHHH!!!!


Eu sou uma mulher forte.

A única coisa de que tenho medo na vida é de perder as pessoas que AMO: nomeadamente as minhas filhas e amigos/familiares próximos.

Até nisso já ganhei "calo": o meu melhor amigo de faculdade e a minha mãe, deixaram-me quase sem avisar.
Estou tão zangada....Com Deus que me apetece esmurrar o condutor do lado quando faz um pequeno disparate... ou desmembrar um corpo portador de cabeça ôca, quando me aparece à frente.
Depois aparecem-me aqui meia dzia de mariquinhas a fazerem-me "a côrte".

Enjôo!! Que enjÕO!!

1º Não dizem o que querem nem ao que vêm. Dissiimulam o "querer dar uma queca" com amizades e apoios.

2ºNão têm pedalada para mim!!Não são capazes de se assumir nem de assumir nada!!! Têm o rabo preso em casamentos de conveniência, e são tipos de 50 e tal anos com medo de chocar os "filhinhos" se arranjarem uma namorada.

3º Finalmente, tenho momentos em que dou por mim a pensar, se os homens são tão fracos e desprezíveis, porque razão não me imagino a gostar de mulheres??

Fónix, Vodafone TMN que isto é demais!!

Aviso à navegação:Afastem-se de mim que eu estou farta de "mariquinhas pé de salsa"!

Isabel

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

AS CARAS DAS REVISTAS!!


A SOCIEDADE REVISTEIRA!!!!:)

Já não tenho pachorra para folhear as denominadas revistas “cor de rosa”, por aquilo que elas representam.
Estão cheias de pessoas que nunca leram um livro na vida, que nunca fizeram nada de bom para os outros, que nunca aprenderam nem ensinaram nada a ninguém e que “aparecem” quase como forma de sobrevivência: existem enquanto a sua imagem existir nos meios de comunicação!
Fico boquiaberta como existem “Tiaaahhhhhssss” de Cascais com anúncios de prostituição nos jornais e meninas que alcançaram o estatuto de “modelos” subindo deitadas, (dormindo com as pessoas certas), chegando algumas a ter vídeos na internet_ que me abstenho de classificar_, em que se mostram a ter relações sexuais, em todas as poses possíveis e imaginárias, mostrando o interior do corpo até no mínimo, ao intestino delgado _ que não sabem onde fica!LOL!!!
São estas as pessoas que enchem as revistas: para não falar nos Ronaldos e Nereidas afins.
Falta-me referir os “meninos família” endividados até às orelhas, a maioria mantendo casamentos de conveniência, que estão em todas para pelo menos fazer uma refeição à borla….Triste, não é??
E há ainda aqueles que metem os fotógrafos em casa para mostrar as pratas, os jardins e as piscinas que não conseguem sustentar, os que têm o frigorífico vazio mas andam de Mercedes, não perdem uma Corrida TV, uma gala dos Globos ou uma festa no Sasha.
Esta é a sociedade que temos: já no século passado a minha querida avó dizia que se aproximava o fim do mundo.
Talvez o Planeta não esteja quase a explodir, nem um meteoro esteja em rota de colisão connosco, mas a sociedade tal como a conhecemos, está doente, muito doente.
Sei de fonte segura que existem jornais de reputação impecável em que os jornalistas “snifam” cocaína em cima da secretária, juízes do supremo tribunal que entram em orgias em que tudo é possível, e meninas de alta sociedade que fazem aquilo que reles prostitutas do bairro alto não fazem.
Como Cristã não posso condenar. Mas também, como Cristã e não me considerando modelo para ninguém, cabe-me denunciar – aquilo que todos sabem e fingem não saber.
Como dizia a canção bem antiga: “ Vemos, ouvimos e lemos!! Não podemos ignorar!!”
Isabel

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

14 DE AGOSTO DE 2009


Dia da batalha de Aljubarrota e de aniversário da minha pequena!!!!)))
Acordei cansada e com dor de cabeça- estarei a chocar a gripe A?- mas fiquei muito pior quando vi o telejornal!!!
Como faz o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, apenas 3 notas para hoje:

1º Uma manifestação de jovens agricultores que não conseguem montar as suas explorações leiteiras devido a burocracias apesar dos burocratas do Ministério dizerem que "há dinheiro";
Chocou-me ouvir dizer: "as minhas vacas estão a comer fiado!!".
A seguir vão à praia, em excursão de velhos tractores, agradecer aos portugueses o consumo de LEITE PORTUGUÊS e explicar que não podem ter férias porque as vaquinhas não comem areia!!!
Como é possível??? Sabemos que há cotas a cumprir!! Mas toda a gente sabe que há dinheiro vindo da CE que fica pelos corredores dos ministérios e que nunca chega ao destino!!
Este é só um pequeno exemplo do estado em que se encontra a Agricultura Portuguesa…Dá pena não dá???
2º Um dos rapazes que mudou a bandeira nos Paços do Conselho em Lisboa foi constituído arguido. Foi voluntariamente entregar a bandeira do município e ficou detido.
Entretanto o sr. Isaltinho Morais, (sim, são todos uns senhores), condenado a 7 anos de prisão efectiva, anda por aí à solta!!!!!
Parece que o Mundo está virado ao contrário…Ou se calhar sou eu que estou e não dei por isso!!
3º Em França, uma muçulmana foi impedida de nadar na piscina municipal, em “burkini”.
LOL!!:))))
Que desconforto!!
Para quê as burkas??
Uma mulher vestida normalmente pode “excitar” os homens é??
_Claro, até quando somos violadas somos nós que os provocámos, não é isso que costumam dizer para se defender??_
Oh, por favor, tenham dó!!!!
O maior órgão sexual que qualquer um de nós possui é o Cérebro, gaita, ainda não perceberam???
E quanto à excitação masculina…Pelo que tenho ouvido dizer a maior parte da “malta” já só lá vai de “comprimido azul” no estômago…
Enfim: Um telejornal com notícias muito deprimentes…Como de costume.
Uma última nota: o desemprego voltou a subir!
Até quando vamos ter que gramar o Sócrates???
Pensem nisso!
Se for preciso uma revolução dêem-me uma G3 e ensinem-me a trabalhar com ela.
Eu não me importo de ir para a linha da frente.


Isabel

Os MARIALVAS


OS MARIALVAS))))
É uma tristeza que em pleno séc. XXI, num País que se pretende do “1º mundo” ainda proliferem certos espécimes.Deveriam, em minha opinião, estar encerrados em Jardins zoológicos ou Museus!!Há ainda “homens” que tratam as mulheres como “carne no talho”, que as olham com olhares lúbricos, que se aproximam delas através do engano, das palavrinhas certas e bonitas, que se aproveitam de momentos de fragilidade , que as “COLECCIONAM” como troféus de caça!!!Há aqui de tudo:Os fanáticos das amizades coloridas e os apologistas do “one nigth stand”.Não duvido que haja em alguns casos, conivência do sexo feminino: mas não será que estes “senhores” não possuirão esperteza suficiente para distinguir umas de outras??Para se ser respeitado há que se saber dar ao respeito: foi assim que fui educada.Mas há marialvas encapotados, coitados, que não percebem que existem “meninas divertidas”e que há mulheres que não estão para aturar os seus supostos avanços subliminares que apenas pretendem uma noite bem passada??
Sou Ribatejo/alentejana: nasci aqui nesta fronteira. Com 5 anos já acompanhava o meu pai às corridas de toiros.Hoje, as mulheres também toureiam…E há “senhores”, ditos “meninos-família”, que não percebem que…perdoem-me os termos, no final da corrida os toiros foram eles???Acordem homens!Aprendam a respeitar as Mulheres com M maiúsculo!!Nós não somos objectos sexuais: temos Alma, coração, sentimentos e inteligência!!!
Entendam isto de uma vez por todas e comportem-se como Senhores e não como “gajos”.Tenham uma muito boa noite e sigam o meu conselho que serão muito mais felizes!!!
Isabel

sábado, 8 de agosto de 2009

THE STORY


Nasci em 1961 e fui criada numa família conservadora mas moderna para os tempos de então; frequentei a escola particular como na época era suposto, andei no piano e na Alliance Française.
Fui uma menina superprotegida pela família e amigos. Reconheço que entrei para a faculdade sem conhecer a maioria dos palavrões que existem.
Quando fui lançada às feras de uma faculdade, a 90 kms de casa, pela primeira vez longe dos papás, só uma recomendação levei do meu pai: “Porte-se como uma senhora”.
Tive a sorte de não me instalarem num lar de freiras o que me permitiu, com amigas que conheci na altura, alugar um apartamento na zona Central de Évora, perto de tudo, e tive a maior sorte em conhecer os melhores amigos do mundo. Desde o Porto à Madeira conheci pessoas extraordinárias com quem ainda hoje mantenho contactos e que mais do que isso, permanecem no meu coração.
Terminei o curso em 5 anos….Para quem sempre sonhou com medicina licenciar-se em Zootecnia não foi tarefa fácil. As cadeiras de Matemática pareciam não acabar mais….Hoje entendo…A Matemática tanto explica a curva de crescimento de um ser vivo como as mais avançadas teorias da expansão do Universo.
Acabei o curso, vim para casa estagiar numa herdade a 6 kms de casa e ao mesmo tempo comecei a dar aulas visto o estágio não ser remunerado: lembro-me de ir ordenhar cabras às 6 da manhã, tomar um duche e ir dar aulas às 8,30.
Entretanto um dos meus amigos de infância transformou-se em namorado e depois de 5 anos de namoro casei.
O meu casamento foi…..Um sonho realizado. Fui feliz. Muito feliz.
Talvez por isso mesmo, por me sentir a viver um conto de fadas, me senti sem chão debaixo dos pés quando o meu ex me diz, um dia, depois de jantar que queria “ir curtir a vida sozinho”.
A minha filha mais nova tinha na altura 7/8 meses e a mais velha 3 anos.
A sensação que tive na altura foi de ficar a pairar. Sem saber se virava para a esquerda ou para a direita, se tinha lar se não tinha; acho que deixei de saber até o meu nome.
Mas eu sou Forte. Deus quando me “construiu” meteu entre as placas de cimento do edifício umas barras de aço.
Continuei a trabalhar, a amamentar a mais nova, a conviver com amigos, (dava aulas nessa altura no liceu e num curso de tratadores e desbastadores de cavalos) na Chamusca.
Muitas vezes levava a bebé no carro por causa da mama.
A minha vida já estava a flutuar na altura: o marido para um lado, eu e as filhas para o outro; nunca sabia quando ele estava, quando vinha a casa, quando ficava a noite fora….Quando tive as provas da existência de outra pessoa, mandei-o sair de casa. Para sempre.
A vida continuou, a casa manteve-se. A minha sogra não aguentando assistir ao desmoronar da família enfiou-se num avião e foi para África.
De manhã pagava para a vizinha da frente me ficar com a pequenina, a empregada levava a mais velha à escola quando eu não podia e…a minha querida mãe à tarde apoiava-me no que podia.
A vida continuou.
A separação foi em 1999 e o divórcio litigioso em 2002, Abril.
Nesse mesmo ano, após um surto de sintomas que os médicos atribuíam ao stress, descobri por uma TAC e RMN que tinha um tumor cerebral do tamanho de uma ameixa.
Quando percebi, antes até dos médicos me dizerem fosse o que fosse, a minha maior e enorme preocupação e pensamento foi: “ COMO É QUE VAI SER COM AS MINHAS FILHAS?? COMO É QUE VAI SER COM AS MINHAS FILHAS???”
- É incrível como numa situação limite, nos esquecemos de nós, não pensamos no que há depois da vida e só conseguimos pensar em coisas práticas!!_
Quem vai ficar com elas? Se a operação correr mal onde vou ser enterrada?? Etc….
Após uma série de peripécias no HSM e aconselhada pela minha prima médica que fez o favor de me salvar a vida, fui operada num hospital público pelo melhor professor de neurocirurgia que penso existir em Portugal: o Professor António Trindade, colega de curso de outra prima minha mais velha.
Lembro-me de equacionar ir para a CUF ou para o HSM…e a minha prima disse-me: “Preferes ser operada por um médico fresco, de manhã ou por um cansado ao final da tarde? Preferes ter 100 anestesistas, 150 cardiologistas à disposição se algo correr mal ou os 2 ou 3 de serviço como nos hospitais particulares?”
E fui para o HSM: a nível burocrático absolutamente desastrosos: perderam-me o processo “n” vezes e no próprio dia da cirurgia, vi literalmente a minha vida a andar para trás, quando um anestesista com um ar blasé, motard, tipo “tudo na boa” me pergunta: “então o seu tumor é do lado esquerdo não é??”
Eu não caí da marquesa da cirurgia porque não calhou: “ Doutor, eu tenho o tumor no lado direito!! Zona parietal direita!!!” _ eu tinha lido que nos EUA um doente morreu por um engano destes, num livro escrito pelo prof. Lobo Antunes.
O anestesista insistiu: “ mas aqui no relatório, diz do lado esquerdo!!! Só se a dactilógrafa se enganou…Deixa cá ver as TACs…”
Ufffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff………………………………………………
Acordei passadas 6/7 horas e a 1ª coisa que disse foi: “como era o aspecto do tumor?” _ ao que o idiota do assistente me reponde ironicamente: “não tenho microscópio nos olhos!!!!”
Entretanto proibi os meus pais e amigos de me visitarem naquele famigerado 8º piso do HSM: só os meus primos e irmã, os menos impressionáveis lá foram.
Aquele piso era um filme de terror: pessoas acidentadas que não sabiam onde estavam ou quem eram, velhinhos a morrer sós, cheios de Alzheimer, estudantes universitárias e jovens mãe com tumores malignos a fazer quimioterapias e… cabeças agrafadas por todo o lado.
4 dias de internamento depois, tive alta. Estava tão fraca e tonta que desmaiava sentada.
Fui recuperar para casa da minha querida mamã e… com aquelas comidas óptimas…e ao fim de saber os resultados das biopsias e sentir-me com um pouco mais de força fiz as malas e praia…De chapéu na cabeça claro..nem podia molhá-la no mar.
A vida retomou o seu curso, Graças a Deus e a todos quantos me apoiaram.
Entretanto em final de 2003, altura do Natal, soube que o meu melhor amigo de faculdade estava com uma LMC.
Uns dias melhores, outros piores, a ser tratado com o que a Ciência propõe de mais moderno, durou 3 anos, sempre a trabalhar e de sorriso nos lábios como era seu apanágio.
Em 2006 piorou e foi internado para a última tentativa: transplante de medula.
Não resistiu.
Durante 3 meses de internamento_ ele que estava tão afeiçoado à sua casa de Évora recém remodelada_ nunca se queixou. Eu falava com a sua mulher e minha melhor amiga 3X por dia e ela só me pedia para rezar por ele.
Ainda me despedi dele: combinámos umas jantaradas em Monsaraz bebendo uns belos tintos alentejanos.
Faremos isso, se um dia o encontrar: o que duvido, ele era 1000X melhor pessoa do que eu.
Nesse fatídico ano de 2006, duas grandes amigas minhas adoeceram com cancros graves e raros.
Estão no meu coração e nas minhas orações. Estarão sempre.
Entretanto o meu pai e posteriormente a mãe tiveram enfartes. Durante uns tempos não fiz mais do que dar aulas, tomar conta das miúdas e correr para Lisboa para os ver.
Em 2008 a mãe descobre que tem cancro da mama.
De novo entraram em acção os melhores médicos do País: o director do IPO na altura, Ricardo Luz, o dr. Santos Costa, o cirurgião Canto Moniz, a Dr.ª Sofia Braga, foram todos inexcedíveis. O que não impediu que a mãe, depois de ter passado por uma cirurgia conservadora, 6 quimioterapias, 33 sessões de rádio e de ter recebido os parabéns dos médicos, tivesse partido um mês depois de ter sido “declarada” curada.
Creio que morreu em Paz: pedi às enfermeiras para nos darem um quartinho, rezei o terço com ela como ela fazia todos os dias e vi-a deixar de respirar.
Levantei-me calmamente e chamei o pessoal de serviço: sim, a mãe tinha partido.
A vida teve que retomar o seu curso.
As minhas filhas aceitaram a partida da avó: creio que o facto de serem Cristãs as ajudou a perceber tudo melhor.
Voltei a trabalhar depois da semana de luto.
Dentro de mim cresceu um cardo horrível chamado revolta.
Não consegui voltar a ser a “menina pacífica” que me educaram para ser.
Durante este período que relatei da minha vida tive 3 ou 4 namorados que não sei como , fizeram sempre o favor de não estar presentes quando eu mais precisava.
Peanuts.
Depois disto, tudo o resto são peanuts.
Depois de ter escrito isto, de ter feito a catarse das mágoas, não me parece que precise mais de psicólogos.
Apenas uma conclusão consegui tirar desta história que é a minha: eu sou uma MULHER FORTE.
Ao lado de uma mulher forte não pode nunca existir um homem que se esconda atrás das trincheiras.
Por isso, “mes amis, mes amours”,nem aqui nem em lado nenhum procuro nada.
Apenas ambiciono a Paz de Espírito e a Aceitação da vida como ela é.
Não se admirem se as respostas por vezes forem “tortas” ou as palavras mais duras e com as letras todas: como eu disse, cresceu um cardo dentro de mim.
Perdoem se houver alguma coisa a perdoar.
Esta sou eu sem espinhas nem osso.
Beijos a quem me lê.

Isabel

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

PORTUGAL E A CRISE


Os portugueses e a “crise”.

De facto, há coisas que em muito ultrapassam o meu entendimento. Vaidade minha talvez, que meti na cabeça que devia compreender tudo.
Toda a gente fala na crise e no desemprego, e no fim do mundo e por aí fora…
Não falando no Estado, o maior gastador deste País com os ordenados chorudos pagos a gestores, administradores e quejandos, fico de boca aberta quando a dita classe média continua a ir passar férias ao Brasil e Caraíbas e as discotecas da moda continuam a encher os Algarves!!
Crise? Mas crise como?
Que fazem os “meninos-bem”/ ou digamos os que têm a pretensão de ser senhores e meninos família??
Vivem do crava: é fácil: um almoço em casa de um amigo aqui, um jantar em casa de uma namorada acolá, uma visita à tia para lanchar no palacete a cair aos pedaços….A ex mulher de quem não se divorciam por conveniência e tem “massa”…
Eu conheço dessas pessoas …Mas também conheço doutras.
Daquelas pessoas que se pode dizer que “os têm no sítio”.
Um grande amigo meu de infância, latifundiário, possuidor de não sei quantos hectares de montado de sobro, viu a “vida a andar para trás” quando o banco lhe começou a fechar as portas…(como fez a muita a gente excepto alguns corruptos).
O meu amigo, 38 anos, casado com uma mulher impecável, pai de uma menina lindíssima de 4 anos, pegou na trouxa e rumou à Irlanda. Lá, é controlador de máquinas agrícolas e florestais. Ganha o suficiente para vir aos fins de semana cá e para a família lá ir sempre que pode._ e para pagar aos bancos portugueses.
Eu sou professora: estudei, marrei, licenciei-me com ”sangue suor e lágrimas”: ninguém que estudou naquela UE se pode esquecer dos cadeirões que eram a Economia Política Agrícola os Solos e fertilidade, etc.
Não estou a fazer aquilo que sempre sonhei_ investigação_ mas estou a dar aulas.
E se algum dia deixar de ter lugar na escola porque algum meteorito colidiu com a Terra ou a ministra embirrou com a minha pessoa, não há problema. Hão-de existir por aí muitas escadas para lavar ou roupa para engomar nem que seja no Luxemburgo.
No meio de meia dúzia de Almas corajosas capazes de pegar qualquer toiro pelos cornos, temos os subsidiodependentes que vivem dos abonos de família, rendimentos de inserção social e outros, que não pagam nas escolas e que têm computadores à borla e tem Audis e Mercedes à porta…(Não sei como mas suspeito)…E os “meninos família” que não podem meter as mãos na Terra nem sujar a roupinha que parece mal às tias de Cascais!!
Ora gaita!!!
A continuarmos assim, não há País que resista!!!
As coisas estão difíceis e toda a gente parece viver num paraíso artificial de aparências!
Agradeço comentários: os meus blogs são tipo “prós e contras” mas dos isentos!!!
Isabel.

sábado, 1 de agosto de 2009

O SEXO FORTE

A nova sociedade Matriarcal.

Gosto de lémures..e de elefantes. Vivem em grupos constituídos por sociedades matriarcais.
E “a coisa” tem aspecto de funcionar.
Estamos no séc XXI e os homens não perceberam que têm muito que crescer para chegar até nós.
Há mais de 100 anos, quando a minha avó paterna saiu do Porto para ir estudar para a Universidade de Coimbra foi um escândalo na família. Entretanto, completou os estudos e casou com um colega que lhe deu 8 filhos e lhe fez a vida negra. Sim, o meu inteligentíssimo avô, monárquico ferrenho, era um machista de primeira água. E a minha adorada avó aguentou.
A minha avó materna, filha de proprietários da zona de Abrantes teve o maior desgosto da vida dela porque viu os 6 irmãos seguirem estudos e ela não. Alguns morreram com a pneumónica, penso que outros terão ido para a 1ª Guerra Mundial…e a avó viu-se à frente de uma casa de família.
Casou…Juntaram bens e propriedades, mas o meu querido avô materno nunca teve muito “jeito para o negócio” e a pouco e pouco a fortuna familiar foi-se perdendo. A avó morreu amargurada porque tinha tido tudo e tudo tinha perdido.
Foi com o exemplo delas que me “construí”.
Mulheres Fortes.
Mulheres que podiam ter ido muito mais longe se os maridos não tivessem sido tão típicamente machos latinos.
Mulheres que me ensinaram muita coisa….Lembro-me de ser pequenina e ir para o quarto da avó L… ver revistas antigas sobre o Regicídio…Meio às escondidas, as avós foram sempre monárquicas.
A Fé em Deus que possuo, a elas e à minha querida mãe agradeço: é o suporte e estrutura da minha personalidade.
No último ano de vida, em que a mãe fazia todos os dias quase 200 Km para ir e voltar ao IPO, ela preferia sempre ir comigo, com uma amiga ou com a minha irmã. Dizia: “prefiro que o pai não vá. Ele, coitado, ainda vai atrapalhar mais!”.
Homens!!!!????
Que é que se passa convosco??
Onde está a vossa força, que vos aconteceu à testosterona??
Só serve mesmo para desapertar as porcas das rodas quando é preciso mudar um pneu?
Eu …que sou mulher, tenho momentos de grande fragilidade, disfarçados por momentos de grande força.
Fiquei sem marido, inesperadamente quando ele me “trocou” por uma ricalhaça ambiciosa deixando-me com 2 bebés: uma de 3 anos e outra de 7 meses.
Lembro-me de chorar para cima da Filipa enquanto a amamentava.
Sobrevivivi.
Passei a contar comigo e a não ter medo de viver.
Eu que tinha medo de conduzir em Lisboa (aqueles condutores pareciam-me uma matilha de lobos selvagens), comecei a ir para todo o lado ao volante do meu carro, jeep, o que fosse.
Quando tive um tumor na cabeça e fiquei proibida de conduzir até à cirurgia, tomava cortisona,(anti-inflamatório cerebral potentíssimo), e guiava à mesma em Coruche.
Cheguei a ir ao cemitério lavar a campa de família caso a operação corresse mal. Sem dramas.
As minhas filhas só se aperceberam da gravidade da situação quando eu voltei de Lisboa, já operada, e desmaiava sentada.
Mas tive força e a ajuda da minha mãe que as ajudou a distrair e a compreender que a mãe estava fraca mas ia ficar bem.
E fiquei. Passados 15 dias de uma operação de 7 horas, estava na praia com amigos.
Em 2006, perdi o meu melhor amigo e marido da minha melhor amiga de faculdade com uma LMC.
Quando ele piorou e a minha amiga me telefonou em prantos, eu meti-me no meu carro a uma sexta feira à tarde, para me despedir do homem mais corajoso que tive o privilégio de conhecer. Estava de máscara de oxigénio, a sorrir e a combinar umas jantaradas em Monsaraz com uns bons tintos alentejanos. Despedimo-nos a sorrir.
Foi sedado nessa noite mas antes mandou uma sms à mulher dizendo “está tudo bem minha querida””. Nunca mais acordou.
Foi a maior perda que tive…em 2006. Mas sobrevivi, porque estamos condenados a sobreviver à dor.
A Helena, viúva, só me dizia: “ele era bom demais para este mundo, por isso Deus o chamou….”
A partir daí, parte da minha amiga morreu por dentro, eu sei.
Como ela diz: “queria morrer como ele, ir ter com ele”.
E eu… apenas a ouvia. Foram 20 anos de um casamento perfeito.
A vida foi continuando e foram passando “pessoas” pela minha vida.
Confesso que em quase 10 anos de divórcio não conheci nenhum homem à minha altura: uns lamentam-se muito da vida, outros só querem aventuras, outros ainda querem-nos comprar com as suas riquezas materiais.
Quando o meu último namorado me dizia: “estou muito cansado..” Eu tinha que lhe responder: _”L, se tu estás cansado, então eu estou morta!!!”.
Toda a gente acha que dar aulas é um grande privilégio porque blabla , emprego certo etc.
Mas não estão lá. A dar em doidos com alunos psicopatas e mal educados, a aturar ministras doentes mentais e alguns colegas com tiques autoritários.
Eu não escolhi dar aulas: como Zootécnica sempre quis seguir investigação em campo e laboratório.
Nunca me imaginei a ensinar miúdos na idade do armário.
Sacrifiquei o sonho à realidade: em casa estão 2 filhas que precisam de mim.
Agora tenham dó: não me venham queixar-se das desgradinhos dos pneus que têm que ser mudados e que a vida está tão difícil: eu também mudo os pneus ao meu carro. E pago-o. Com dificuldades, claro. A pensão de alimentos do meu ex marido é risível : quem consegue fugir aos impostos, consegue o que quer perante um tribunal.
Não quero um homem para me ajudar nem para me explorar, Nem sequer quero casar-me: como católica a Igreja não o permite (ainda).
Não tenho vida, nem casa, nem tempo para fazer vida de casada mas obviamente que não estou “na onda” de relações da moda “one nigth stand”. A nós, maioria de mulheres com neurónios funcionantes, quem nos toca no corpo, invade-nos a Alma.
Já me habituei a este trio_ eu e as minhas filhas_, a tomar as minhas/nossas decisões sem pedir opiniões.
Mas quero amar e ser amada, sim. Obviamente que sim.
Quero ao meu lado um homem que me dê a mão e enfrente a vida de cabeça levantada.
Quero um homem que seja tão forte como eu e que não tenha medo de dar a cara ao toiro das dificuldades. Um homem que esteja ao meu lado para rir comigo e para chorar comigo se for caso disso.
Quero um homem que me faça sentir Amada, valorizada, apreciada. Que olhe para além dos seus botões e que pense como eu, que ensino às minhas filhas: “ não são as coisas que nos dão classe, mas nós que damos classe às coisas que usamos”.
Um homem que não me exija presentes de marca mas que saiba que é ele que dá marca ao que têm.
Viver de aparências não é para mim. Ter de frequentar o sítio X e Y, ter de ir à festa A e B e à corrida de toiros Z e W porque vai sair na revista não é para mim.
Não é fácil estar só. Mas é muito mais difícil, pelo menos a longo prazo, estar mal acompanhada!
Por isso minhas amigas: bola para a frente. O futuro é nosso…E de quem nos acompanhar.

Isabel

PS: Há quem critique a minha exposição íntima neste blog.
Neste momento não há psicólogos disponíveis e são caros.
Escrever é uma catarse para mim.
Quem não deve, não teme….E só lê isto quem quer.
Quanto às más interpretações…Bem, nem toda a gente aprendeu a ler não é???:)