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segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Cansaço" - Fernando Pessoa



SE JESUS CRISTO TIVESSE TIDO O AZAR DE NASCER EM CORUCHE EM VEZ DE BELÉM, NEM UMA ESTREBARIA LHE ARRANJAVAM!

Confesso que estou irritada!
Ao sair do café, nesta “belíssima” vila deserta sob um sol abrasador, fui abordada por um peregrino alemão falando inglês: homem na casa dos 60 e tal anos, mais baixo que eu, com ar frágil.
Ia para Fátima pela segunda vez, e vinha desde Faro, a pé.
Carregava a mochila habitual às costas, a concha de Santiago Compostela, e no dedo um anel com a dezena.
Perguntou-me se falava inglês e onde morava o “priest”. Indiquei-lhe a casa do padre e segui caminho. Quando voltei, o peregrino estava no mesmo sítio… O padre tinha ido de férias e não há mais nenhum padre em Coruche…
Perguntou-me então onde eram os bombeiros pois como peregrino muitas vezes pernoita nas suas instalações. Fui com ele ao quartel pedir guarida para o caminhante. Foi-me contando que era protestante mas que tinha uma enorme Fé em Fátima e perguntou-me o que é que eu era: ambos trazíamos uma cruz ao pescoço. Respondi que era católica e com toda a naturalidade continuámos conversando em inglês…embora os alemães não sejam muito bons nessa língua;).
Disse-me que a última noite tinha pernoitado na casa do padre de Lavre, que em Évora tinha pernoitado na GNR e em Montemor-o- Novo no quartel de bombeiros.
Chegados aos bombeiros… Vi que havia muita agitação (Portugal está cheio de fogos como habitual), mas mesmo assim falei com o encarregado…. Que telefonou ao comandante. A resposta foi peremptória: “temos as instalações todas cheias! Estamos em estado de alerta! Até os quartos das raparigas estão ocupados…”_ Eu ainda retorqui que o senhor Klaus não precisava de uma cama pois trazia saco cama mas sim de um canto para dormir e de água ou uma mangueira para se lavar. Impossível.
Depois do “não” dos bombeiros, seguimos para o quartel da GNR. Voltei a traduzi-lo e a expor a situação ao que o guarda respondeu: não temos condições para o acolher!... E eu sei que eles têm as cavalariças desactivadas!!! Ainda disse ao gnr: “ mas deixe-o dormir na cela dos presos!”… Resposta: “Ai não, isso não pode ser!” ----
Em desespero de causa, dirigi-me ao lar de freiras. Toquei à campainha, uma irmã desceu falou muito bem comigo, sempre olhando com ar desconfiado para o pobre homem. Resolveu ligar para a Provedora da Santa casa da Misericórdia que estava de férias. A senhora atendeu e perguntou-me se ele tinha caderneta de peregrino. Tinha. A provedora telefonou para uma pensão que acolhe os peregrinos e a quem depois a Misericórdia paga. Era domingo…. A pensão estava fechada….Entretanto esperámos quase uma hora pela resposta….As irmãs arranjaram-lhe fruta e água…. Uma irmã que chegou posteriormente , mais aberta talvez, pois esteve 16 anos no Brasil, catequista da minha filha, foi buscar-lhe uma sopa quente e pão pois o pobre peregrino queria voltar ao café onde me tinha encontrado para comprar qualquer coisa para o jantar.
Depois de todas as hipóteses esgotadas….O peregrino ficou a dormir no banco de jardim que por sorte, fica mesmo defronte da GNR…. Ele estava_ e está_ com esperança de que na manhã seguinte possa usar aquela mangueira para se lavar.
Teve o à vontade de me dizer que na Alemanha há muito mais padres do que Portugal…. Eu disse-lhe que cá talvez haja menos padres pois aqui não podem casar, como ele bem sabe….:)- Sorrimos e concordámos que há esperança que esta situação mude…..
Resumindo, é triste que um homem que caminha desde Faro tendo encontrado um teto para dormir em todas as terras por onde passou, chegue a Coruche e fique a dormir ao relento!...
Pedi ao Klaus que rezasse por nós quando chegasse a Fátima e trocámos telemóveis caso ele precise de alguma coisa.
Combinou mandar-me uma sms quando chegasse a Fátima.
Desejo-lhe de todo o coração uma óptima viagem.
Isabel

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ANIMAIS EM VIAS DE EXTINÇÃO: Nós!!!



S.O.S!!! Estamos em extinção!!!

Somos seres humanos na casa dos 40/50 anos, com filhos a estudar, profissões associadas à classe média_ médicos do serv. público, professores, economistas, whatever, divorciados, e com ordenados,_ até Dezembro_, na casa dos 1500/1600 euros.
Pagamos ao banco a casa onde vivemos e o carro em que nos deslocamos_ o que feitas as contas, apesar de ser um carro utilitário barato_, nos custou ,(com os juros bancários), no mínimo 3 mercedes!!!
Não temos casa de praia ou de campo e da nossa família, mais ou menos culta, mais ou menos brasonada, não herdámos mais do que a educação e a cultura que os nossos pais nos proporcionaram.
Não temos uma horta onde ir buscar umas couves ou uns espinafres, uma capoeira para tirar uns ovos nem um terreno para criar um porco, 3 cabras ou uma vaca.
Alguns de nós, nem varanda têm para colocar vasinhos de salsa.
Como infelizmente, na maioria dos seres da nossa geração, somos divorciados e pagamos um preço altíssimo por isso.
É a nós que estão a sufocar dia a dia, hora a hora com o aumento de impostos, com os descontos de 10 a 15% de vencimento , com a perda de abono de família ou de subsídio de Natal.
É a nós que nos espetam a faca nas costas considerando-nos privilegiados quando trabalhamos há mais de vinte anos para termos o que temos. É a nós que retiram as comparticipações da maioria dos medicamentos, e é a nós que estrangulam com as taxas moderadoras, com o aumento de combustíveis e com o preço exorbitante dos livros para os nossos filhos!!!
S.O.S desta injustiça!!!
Sentimos a nossa vida a afundar como o Titanic!!
Por favor, poupem-nos a falácia de “termos vivido acima das nossas possibilidades”!!! Recebemos honestamente o que nos pagaram pelos nossos serviços e nem tivemos sequer hipótese de fugir aos impostos!!!!
Se alguém viveu acima das suas possibilidades não fomos nós: a maioria não tem TV Plasma nem carro topo de gama!! A maioria tem e vive com coisas simples: como digo às minhas filhas, não precisamos de coisas de marca pois de marca já nós somos!!!
S.O S. Socorro!! Expliquem-me como casais sem estudos, (novas oportunidades???), alguns trabalhadores no sector primário, enchem os filhos, colegas das minhas filhas, com telemóveis de última geração, playstations, sapatilhas e jeans de marca impronunciáveis.
Ah pois: alguns têm hortas, pomares o tal porco e as ovelhas que os avós derreados cultivam e criam.
É a única explicação plausível que vejo quando oiço as conversas das minhas queridas filhas_ ainda hoje a mais nova me dizia: “ a minha colega XXX partiu um telemóvel táctil caríssimo, e na semana seguinte os pais compraram-lhe outro!..Eu tenho este antigo que faz o que eu preciso: telefona e manda mensagens!”-.
Expliquem-me por favor, como se eu fosse muito burra, porque me sinto um animal em vias de extinção!

Obrigada!
Isabel

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Nada me Faltará" _ Maria José Nogueira PInto

Nada me faltará
por MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTOHoje204 comentários

Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.