"TEXTO PARA A MARIA"
" Pensamos que conhecemos, temos a veleidade de pensar que conhecemos o território por onde se espraiam os nossos afectos.
Mas o tempo é senhor soberano e é ele que se apodera dos objectos que fazem parte do espaço que nos rodeia e é ele que os transforma.
De onde extrai o artista aquilo que pinta?
Da sua percepção mais íntima das coisas, da realidade substancial que o rodeia.
O que mudou na pintura de Maria Ribeiro Telles?
" Quando me sinto mal pinto rosas. É o delinear da sua forma redonda, curva, lenta, circular, espiralada que exorciza o que me vai no peito" _ explica a Maria, apesar do enorme pudor que sente quando por palavras tem de dar a conhecer o seu íntimo.
Os seus quadros não precisam que se fale neles.
Estão aqui, plenos de vida. Gritam de esperança as Rosas....Manet, Goya, Paula rego e também Marcel Duchamp aparecem como referências, mas estranhamente é nas irmãs Brontê que as minhas memórias se cruzam com as de Maria Ribeiro Telles. Sempre admirei na Maria, além de uma certa altivez sã que me faz muitíssimo recordar a personagem principal do belo romance Jane Eyre, a estoica resistência da autora do Monte dos Vendavais. Sim, lembro Charlotte Brontê e Emily, sua irmã.
Porque é de quatro irmãs que falam estes quadros - Maria, isabelinha, Ana e Luisinha- , do amor condicional que as une, da casa da Fajarda (em Coruche), de como foi dífícil enfrentarem juntas a doença da Isabelinha há dois anos atrás. Das quatro irmãs, Maria é a única que possui a ferramenta necessária para exprimir o que se passou.
Foi assim que surgiram os quadros desta exposição. Apesar de muito inquieta, Maria expõe aqui os quadros mais sólidos da sua carreira: o rio corre cheio de flores..."
(TERESA BOTELHO ) 2009
Inauguração da exposição da Maria no hotel Pestana Palace
(Foto: Foto de quadro de Maria Ribeiro Telles.)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
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