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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Arraiolos


ARRAIOLOS

Amo a luz daquela Vila por onde tantas vezes passei de autocarro a caminho de Évora.
Sempre que posso e tenho companhia, meto-me de moto ou de carro para aqueles lados e vou até ao Castelo acabando por almoçar num dos óptimos restaurantes da Praça principal que é espantosamente bela.
Passeio-me por aquelas ruas sossegadas com as bordadeiras de Arraiolos à porta sentadas, conversando e tecendo beleza ancestral, profunda, genuína.
Hoje li na Visão um artigo que me entristeceu profundamente:
“ A vida a andar para trás”
“ A rodoviária só passa de manhã e ao fim da tarde, algumas aldeias mal vêem o médico, agora querem tirar-lhes a escola. Correm ainda o risco de perder o tribunal e as finanças. Num par de anos, a população de todo o Concelho de Arraiolos no Alentejo, que tem séculos de História bordada à mão, pode ficar reduzida ao mínimo.”
“ Parece que nos estão a expulsar da nossa terra, - ouve-se aqui e ali - e, quando ninguém o diz, adivinham-se as palavras no olhar “Como se pode ficar cá a viver?”
Uma interrogação cheia de indignação, de despeito. “Qualquer dia de tanto esvaziar o interior, caímos todos dentro do mar.”
Quanto ao fecho das escolas, dizem: “ São razões economicistas, ninguém está preocupado com as crianças!”, repetem , enquanto riem dessa ideia moderna de os seus filhos precisarem de socialização, um vocábulo importado do urbanismo e que nada lhes diz. Enquanto se percorrem as tais estradas, e as 7 freguesias de um município com Carta de Foral desde o século XIII.(…)
“ É preciso muita imaginação para continuar a viver aqui. (…) Já reduziram no médico, nos transportes, agora nas escolas…(…) Qualquer dia temos portagem à entrada como se estivéssemos separados do resto do País” (…)
“ Às 5 da tarde, mães, pais e avós daqueles meninos, esperam por eles à entrada (da escola), como sempre. “ Veja só, nem portão tem, não precisa!, mãe do Tomás de 8 anos. (..) Aqui dispõem de internet e tudo…”
“ O CANSAÇO VAI APODERAR-SE DELES: UMA CRIANÇA DE 5 OU 6 ANOS NÃO PODE SAIR DE CASA DE MANHÃ E VOLTAR AO FIM DO DIA, É QUASE UM SOL A SOL!”
(….) Os meninos ainda não sabem que a decisão de “esses loucos de Lisboa”, como dizem os adultos – atinge de uma forma quase definitiva a própria sobrevivência das comunidades locais. Como os idosos não se deslocam, com a escola fechada, ficam ainda mais isolados. “ os pais dos miúdos tendem a ir-se embora com eles(…) Depois vão dizer que só com o que nos sobrou, também não vale a pena.”(….)
D. Miraldina, 61 anos, esta sentada num banquinho junto da porta de casa, de dedal e agulha na mão, o tapete estendido á sua frente: “ O País, a Europa, estão invadidos de tapetes chineses, (…) Já fui tapeteira mas agora só faço restauro – e nos tempos livres, que os tapetes dão pouco dinheiro” (….)
_ E depois apareceu a história da “certificação” dos tapetes, feitos em qualquer parte do País!!!_
(…)“ AQUI SÓ FIZERAM UMA COLECTIVIDADE PARA OS VELHOS E UMA CASA MORTUÁRIA. NÃO SE PENSOU NA VIDA”(…)
(…) Não queremos fazer disto um muro de lamentações, mas…” falha-lhe a voz, a querer passar-lhe uma rasteira, logo se recompõe. “ Há muito Futuro aqui - enquanto as pessoas gostarem de migas de espargos e beldroegas”.
(Excertos da revista Visão, 08/07/2010)

Eu adoro migas de espargos e beldroegas….e tapetes de Arraiolos verdadeiros, e do meu Povo português.

Isabel

PS: Foi em visita à Venezuela que o Sócrates levou tapetes falsos.
Maria João: avisa o Chavez!