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sábado, 26 de junho de 2010

COLECTÂNEA MINHA.... (muito útil para as controversas aulas de educação sexual)


COLECTÂNEA MINHA
(Sobre o AMOR_ muito útil para as controversas aulas de educação sexual nas escolas)

“ Imagine a pior dor física que já sentiu. Multiplique por dez e retire o conhecimento da causa. Talvez assim consiga perceber melhor a dor da depressão.” _ Andrew Slaby. Psiquiatra.
“ Estar triste é um direito e um momento importantíssimo de organização mental. Os pais não devem reagir logo com inquietação à tristeza e confundi-la com depressão. A DEPRESSÃO É UMA TRISTEZA DOENTE”(….)
“ Existe a depressão reactiva a uma situação de stress e a depressão clínica que é uma doença com características endógenas” _ António Maia, psicólogo clínico.
“ Estar deprimido aumenta o risco de suicídio de 11 a 27 vezes, mais do que a relação entre fumar e ter cancro do pulmão” – Ricardo Gusmão, prof. de psiquiatria na UNL.
E… Puxando a brasa à minha sardinha: “ Os professores estão assim mais atentos a sinais como: tristeza, introversão, insucesso escolar ou alteração brusca de comportamentos. (…) À escola cabe perceber melhor quais os sinais associados à depressão, sinalizar os casos e canalizar estes alunos se necessário, para um nível seguinte de intervenção.” _Patrícia Albergaria, professora.
Helena Marujo, especialista na área da psicologia positiva lembra a importância do optimismo nestes contextos: “ Em vários estudos científicos, concluiu-se que o optimismo é preventivo da depressão em crianças e jovens. Hoje sabemos que isso se treina, se desenvolve, se potencia em várias etapas do ciclo da vida…..” E destaca outros aspectos que podem funcionar como potenciais protectores para os adolescentes: “ Saberem quais são as suas melhores forças e virtudes pessoais e terem áreas em q as possam colocar em acção; saberem como construir emoções positivas diárias; terem vidas onde haja lugar para a Espiritualidade, para um propósito maior que o próprio umbigo e para a contribuição para o bem comum (que lhes dê uma visão de vida e do bem estar pessoal que não seja limitada, egoísta, competitiva ou hiper-crítica dos outros).
Corremos o risco de ter uma geração que aprendeu connosco a infelicidade e a quem não demos alternativa de procurar outros caminhos. A gratidão, a generosidade, o perdão, a atenção ao bom, ao belo e ao bem, que (também) alimenta as nossas vidas e está presente em cada esquina da existência, podem hoje ser uma forma preciosa de treinar um olhar feliz e confiante face ao futuro que é deles”.
_ Talvez o interesse destes textos tenha a ver com a constatação de que em 2020, a depressão será a 2ª causa de incapacidade global, superada apenas pelas doenças cardíacas. (OMS)._
Não resisti a copiá-los porque como mãe e professora, os considero….de uma importância ILIMITADA e PREMENTE.

E finalmente, o meu querido Eduardo Sá: um Poeta da Psicologia!!! _ e um dos meus favoritos!!

Educação para o amor (por Eduardo Sá).

Se as pessoas são mal-educadas para a boa educação e para a sexualidade como podem ser felizes?
1. Aquilo a que foi chamado boa educação tem-nos estragado devagarinho. Em primeiro lugar a esmagadora maioria das pessoas foi mal-educada para os sentimentos.
Porque lhes disseram que há sentimentos bons e sentimentos maus, como se uns fossem toleráveis e os outros interditos.(…)
Todos os sentimentos, pareçam recomendáveis ou maus, são bons. Assim nos sirvam para nos aproximarmos de quem nos lê por dentro, e com eles percebermos que só a obscuridade que se atribui ao que sentimos é uma dor que perdura. E dor sem remissão é maldade. Os sentimentos tornam-se maus, quando através deles, descobrimos, muito depressa, que as pessoas com quem imaginávamos contar para lhe pormos legendas (e nelas encontrarmos entendimento para nós) se transformam em forças de bloqueio para o nosso coração.
QUANDO SE EXPRESSA, A AGRESSIVIDADE, LIGA-NOS A QUEM NOS LÊ. TORNA-SE LÚDICA, PRÓ –ACTIVA. E ÉTICA. E SÓ ASSIM APRENDEMOS A SER AGRESSIVOS COM MANEIRAS.
Todos os sentimentos que nos desencontram de quem nos ama são maus. E até o amor, se desacerta de quem amamos, magoa, e pode por isso tornar-se mau.

Em 2º lugar fomos todos mal-educados para a agressividade.
A agressividade liga o corpo ao pensamento. É tão natural quanto a sede. Injecta ira ou paixão nos nossos gestos.
Mas quando se guarda expressa-se com efeitos especiais e aos impulsos. Quando os impulsos são insuflados com fantasias de violência guardam-se mais e transformam-se em rancor. Ou “ódio de estimação”, se preferirem. E ele assusta. Porque nos torna amigos (assustados) da violência.(…)

Em 3º lugar, fomos mal educados para as palavras.
As palavras engasgam-nos os gestos quando falar devia aplainar o coração. Todos os sentimentos são bons, repito, sobretudo se forem clareados por palavras. Mas se falar em jacto dum sentimento, inquina-o com medo de não ser entendido, falar de forma encriptada, como se bastasse dizer o que sentimos mesmo que ninguém nos entenda, torna-nos amigos da solidão. Ficando por entender, os sentimentos (que são clarividência e são o que nos une) transformam-se naquilo que desliga. Isto é: sentimentos sem palavras são ressentimentos.(…..)
Porque fomos mal educados para os sentimentos, para a agressividade, para as palavras e para a imaginação, toda a cor daquilo que sentimos foi ficando pálida e tristonha. Não falamos dos sentimentos. Não dizemos “não” nem nos zangamos sempre que é preciso. E refreamos a imaginação. Estamos mal-educados para a boa educação. E, quando é assim, como se pode amar do coração até à pele? (….)
É por isso que a sexualidade não é tão natural como a sede. Apesar do desejo ser amor à primeira vista, a paixão amor à segunda vista e o encantamento um amor à terceira. Não é um impulso biológico que se esgota num orgasmo e que daí se confunda amor com prazer.
A sexualidade faz bem à saúde. Embora o erotismo não seja um lado animal que age em nós. O erotismo serve para ir ao encontro do outro do interior do outro (e do seu impacto estético na nossa vida).
A sexualidade é uma forma de conciliar – num só gesto - sensações, sentidos e sentimentos. E fazê-los em dois ritmos que se casam numa mesma cumplicidade. E numa comunhão de pessoas que se despem por dentro.
A sexualidade leva-nos da superfície do corpo ao fundo da Alma. Logo que se toca na pele toca-se dentro. Logo que se toca dentro o outro deixa de ser nosso. Deixa de ser outro. Passa a ser parte de nós.

POR TUDO ISTO:
É urgente dessexualizar a educação. Deixar de imaginar que a proximidade pega fogo e que duas pessoas, em contacto com o ar, se tornam produtos mais ou menos inflamáveis.
É urgente inabilitar todas as formas que tornam a sexualidade como uma tecnocracia para a felicidade. Quer quando se transforma a educação sexual numa burocracia isolada do afecto. Quer quando fala das disfunções sexuais à margem dos ressentimentos que se esgueiram do corpo sempre que são silenciados.
É urgente compreender que cada abraço não é um quero-te! Mascarado de ternura, e que os sentimentos não se devem guardar fora do alcance das pessoas.
É urgente desmentir que a contenção é o topo de gama da natureza humana, ao pé do qual todo o prazer deve ser castigado. O prazer é uma forma de descobrir que a minha liberdade começa onde começa a do outro.
(….)
É urgente acarinhar uma cultura do prazer. Prazer não é alívio. Prazer a qualquer preço é solidão. Prazer pelo prazer masturbação. Mas se for 1 em 2, prazer é comunhão. (….)
É urgente dizer que amar é sentir e palavrear de uma só vez. É dizer eu e tu ao mesmo tempo. É esperar que o outro saiba sempre mais de nós do que nós próprios. É conceber a diferença entre imaginar que se voa e aprender a voar.
E descobrir que um amor só é amor quando nos diz : sente-me em ti, olha por mim, fala por nós.”

(Eduardo Sá)