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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Antony And The Johnsons 'Fistful Of Love' 2005



"We live together in a photograph of time....."

Metade do meu ADN é Delas.
Foram as mulheres da minha família que me ensinaram a ser mulher, talvez por isso sinta a necessidade premente de escrever estas palavras como uma simples e e rústica homenagem.

A avó materna, (Serras), era do Sardoal: viu irmãos irem para a 1ª guerra Mundial e outros morrerem de pleurisia.
Proprietária, casou com um "proprietário"_ como chamavam aos donos das terras naquela zona.
Um dos desgostos que acompanhou a avó até à morte_ ela viveu os últimos anos e morreu em casa de meus pais_ , foi o não ter tido oportunidade de estudar e....o ter perdido tudo, por má admnistração dos feitores do meu avô.
Tinha uns olhos azuis lindos.

Teve três filhas, sendo a mais nova a minha querida mãe.
Viu morrer a sua filha do meio, minha madrinha de baptismo, Maria, aos 33 anos com uma insuficiencia renal causada por uma faringite... Na altura não havia transplantes de rim nem hemodiálise, acho que ainda chegou a fazê-la uma vez, num dos primeiros aparelhos que apareceu em Portugal....
Era a melhor aluna do liceu de Abrantes e terminou o antigo 7 º ano com 20 a matemática!!!
A minha madrinha morreu no hospital da CUF...A mãe conta que nas últimas visitas, ela só pedia às irmãs para rezarem com e por ela. Foi enterrada vestida de noiva.
Tinha 4 anos quando a perdi. Herdei o seu diário_ escrevia espantosamente bem.
A outra tia, a mais velha do trio, era divertidíssima e adorava viajar! Ajudou-nos a criar e casou já com 42 anos.
Desse casamento, feliz por sinal, nasceu o único primo do lado materno.
A tia morreu em 1991 com a doença do neurónio motor. Forte que nem aço, nunca lançou um lamento e sorriu até ao último minuto em que respirou._ e já respirava com muitíssima dificuldade....
Quando a perdi, foi como se tivesse perdido a minha segunda mãe.....
Foi aquilo que quis ser e para que foi educada: dona de casa e mãe dedicadíssima.

A minha mãe, mais nova e talvez a mais mimada, contava que quando em pequenina fazia disparates, a avó a fechava no palheiro!!!... Frequentavam a escola primária perto da quinta onde viviam e eram levadas e trazidas pela criada todos os dias.... A mãe conta que às vezes viam lobos no pinhal.....:)))
Detestava viajar e odiava praia: quando criança, a minha avó ia para a Nazaré e fazia termas: as meninas iam com a criada para a praia, e duas vezes por dia o banheiro levava-as ao banho: uma pela mão e as mais novas debaixo do braço. ... Deve ter sido traumatizante de facto!!! Aos fins de semana o meu avô ia lá ter com elas e saíam à noite, e a mãe conta que se lembra de pensar: "se eu morrer esta noite, amanhã já não tenho que ir ao banho"!!!:)))

Avó paterna (Quelhas), foi das primeiras mulheres a ir para a Universidade de medicina do Porto onde se formou como enfermeira parteira. Lá conheceu o meu avô que frequentava medicina, e casaram....
Era uma mulher linda, de olhos azuis, loira, de grande bondade e grande inteligência.
Teve 8 filhos e ainda hoje encontro pessoas que me dizem "a sua avó eram Uma Santa!!"... Ajudou a nascer tanta gente..e só pagava quem podia pagar..... RECUSOU sempre e terminantemente fazer abortos!!! Muito católica, como todos na família, era também monárquica_ não sei se tão ferrenha como o meu avô, mas creio que sim!:)
Sofreu bastante naqueles conturbados tempos da segunda guerra para criar os oito filhos,como é natural.
Aturou alguns "desvarios de saias" ao meu avô.... e esteve tuberculosa, hipertensa (tratava-se com o chá de folha de oliveira), sofreu um AVC do qual recuperou..... e morreu teria eu uns 5 ou 6 anos, em Lisboa, de cancro.

Desses 8 filhos: dois eram mulheres : as minhas queridas Tia Bula e Soledade.
O meu avô "enfiou-as" ,sem lhes pedir opinião, uma em medicina e outra em farmácia!!!:))
A tia Bula....Que de facto não tinha queda para medicina, lá conseguiu convencer o pai, e mudou para Histórico-filosóficas onde se licenciou com a mais elevada nota. Esteve em Paris onde foi leitora de português na Sourbonne.
Quando voltou para Portugal foi dar aulas para Lisboa e viver, até hoje, (tem talvez 88 anos), num lar de freiras.
A última vez que veio a Coruche oferecemos-lhe um ramo de rosas brancas .... Ela adorou e disse que assim que chegasse a casa as iria colocar aos pés de Nossa Senhora.....:)))
A tia Soledade.....Frequentou farmácia até conhecer o marido, médico: foi para a Índia onde o Tio Manel esteve uns anos e depois...África...Onde foi "coroada" rainha por uma tribo qualquer:)))_ Episódio que ela ainda hoje conta com imensa graça!!!!:)))
Ficou viúva cedo com três filhas para criar, tarefa que cumpriu com o máximo êxito: uma delas licenciou-se em Germânicas, foi leccionar para a Alemanha onde casou, a outra mana , Medicina (claro), _curso que acabou com média altíssima sendo-lhe oferecida uma bolsa para os States onde conheceu um belga com quem casou e tem 4 filhos, e é muito feliz)_ e a outra irmã seguiu o rumo das Artes onde revelou bastante talento!.....
Bem...já me estou a alongar na estória que não quero, de todo, maçadora!!...Se enveredo pelas primas não saio daqui: com 7 irmãos, em que só dois não casaram ou não tiveram filhos, "são mais do que as mães" como se usa dizer;).....

Ficamos assim; Mulheres do meu sangue, avós, tias e mãe.
Desta mistura explosiva, deste "caldo",saiu esta mulher que aqui escreve sem temor ou pudor.
Já me chamaram "cavalo selvagem de narinas ao vento", "cruza de "tia" com guerrilheira talibã", mas eu vejo-me mais como leoa domesticada_ até sou do sporting;)) LOOLL:))_ Os leões são uns gatinhos meigos quando lhes passam a mão ao correr do pêlo...... ;))))

Obrigada mulheres do MEU sangue!;) Esse sangue continuará a correr nas artérias e veias das leoazinhas que cá tenho em casa!
Amo-vos! <3

Isabel

( Um beijo para as tias por afinidade! Apesar de não partilharmos ADN adoro-vos!)