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quinta-feira, 21 de maio de 2009



Retrato de uma princesa desconhecida

Para que ela tivesse um pescoço tão fino

Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule

Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos

Para que a sua espinha fosse tão direita

E ela usasse a cabeça tão erguida

Com uma tão simples claridade sobre a testa

Foram necessárias sucessivas gerações de escravos

De corpo dobrado e grossas mãos pacientes

Servindo sucessivas gerações de príncipes

Ainda um pouco toscos e grosseiros

Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente

Para que ela fosse aquela perfeição

Solitária exilada sem destino


Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários:

  1. O poema é lindo...
    Mas eu não poria a foto da tua filha tãoexposta!
    Jinhos

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  2. Sabes Susana, achei que a fotografia estava um bocado desfocada e que não haveria problema...
    Creio que não, Deus as proteja!!
    beijos amiga!!

    Isabel

    ResponderEliminar