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sexta-feira, 12 de abril de 2013

O dom do Encontro ( José Luís Nunes Martins in Jornal i)


O dom do encontro
Estamos aqui, condenados à morte, em busca de força para fazer um caminho que traz inquietações a cada momento, mas que também nos leva mais a cada passo. Não estamos sós – nunca se está só quando se espera alguém – porque há quem queira construir este caminho connosco, esquecendo-se do seu.
Há alguém que nos segue em silêncio. Diferente dos outros, não nos ajuda a levantarmo-nos quando caímos, mas também não se aproveita da proximidade para nos derrubar. Anda por aqui à nossa espera, admirando a forma como sonhamos e a força com que lutamos pelas realizações da nossa vida. Por vezes, empresta-nos a sua vontade e dá-nos mais firmeza e coragem para sermos felizes. E somos. Mesmo quando não nos damos conta disso.
A vida de  cada um de nós é essencial para Deus. Mas que razão o terá levado a criar para si mesmo esta prisão?
O amor é a entrega da vida. É saber que se é um meio para que o outro seja feliz. Uma força pura para a realização dos sonhos de outrem.  Um sentido para a vida. Neste mundo, os dias do amor são sempre curtos.
É urgente perceber que não vamos ficar aqui para sempre. Este mundo não é, contudo, um lugar menor. É um espaço e um tempo de belezas infinitas. É preciso olhar de forma pura o que nos rodeia, aprender a ver outra vez o sol e a chuva, a areia e as ondas. Que são sempre belas, desde que quem as sente as faça assim.
Se tudo te parecer cinzento e calado, talvez esteja assim…Porque tu queres.
Afinal para mudar uma paisagem, é preciso mudares o que sentes.

(José Luís Martins- investigador. Revista I nº 59.