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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"AQUILO EM QUE ACREDITO"


Quando escrevo, o meu cérebro, arruma-se.
Quando, passados anos, releio o que escrevi, rearrumo o que desarumei entretanto.
Hoje “tenho”  que vos falar de um livro espantoso que estou a ler: “ Aquilo em que acredito” de Jean Delumeau.
Só vou na página 35 e já percebi que todo o livro se centra na ligação de duas ciências fundamentais:  a Teologia e a Biologia.
É claro que estou fascinada!... Tem passagens que não resistirei a partilhar convosco:

“(…) O historiador fica estupefacto ao ver a ciência ser posta em questão nos nossos dias. Talvez saiba melhor que outros que ela é uma flor frágil ne que teve dificuldades de crescimento.
Faço, pois,  votos no sentido de que a ciência continue a progeridr e faça recuar incessantemente a barreira das nossas ignorâncias. Mas essa barreira, que afastamos cada dia um pouco mais no tempo e no espaço, subsistirá sempre. Tal é o paradoxo da nossa condição: avançar sempre e nunca conseguir chegar ao fim do caminho; dirigirmo-nos para o horizonte que se escapa diante de nós. Assim, o mistério permanecerá, rodeando-nos por todos os lados. Jamais esgotaremos a imensidão do espaço nem A complexidade das estruturas vivas.É a própria ciência que nos faz compreender cada vez melhor a espessura e as dimensões da noite de que ela ilumina apenas um sector. É preciso ter a modéstia de reconhecer esta evidência e, não obstante, nunca deixar de ir empurrando os limites da escuridão.
Surge então a pergunta: não estará  Deus no fundo dessa noite? Quem pode ter a certeza de que Ele não se encontra lá? Que prova temos nós de que a imensidão não tem sentido? E “que a evolução não tem um projecto” como afirmava, há 2 anos atrás na TV, o comentador demasiado categórico de um filme científico? Não me parece que a ciência conduza à negação de Deus, mas antes que ela convida o Homem, ao mesmo tempo a permanecer no seu lugar e a interrogar-se sobre o que é maior que ele. “Ergue os olhos para os céus e conta as estrelas, se fores capaz de as contar” (Génesis 15,5). Mais tarde, é Job que é interpelado por Javé nestes termos: “ Acaso, alguma vez na vida, deste ordens à manhã e indicaste o seu lugar à aurora?.... Desceste até às fontes do mar e passeaste pelas profundidades do abismo? Abriram-se-te,  porventura as portas da morte? Viste as portas da tenebrosa morada?” (Job, 38, 12-17).
Estas perguntas fortes fazem compreender o alto valor da “outra ignorância”. Por isso, farei minha de bom grado uma reflexão de Jean Hamburger: “ … a ciência, além da sumptuosa aventura que oferece ao espírito humano, poderia indirectamente ser fonte de meditações capazes de nos livrar do sentimento de absurdo. Mas o conhecimento científico mantém-se totalmente inapto para responder às nossas necessidades profundas de transcendência”. (…)
In  Aquilo em que Acredito de  Jean Delumau